sábado, 28 de janeiro de 2012

A INTERNET E O SINTOMA CONTEMPORÂNEO

Freud, em 1930, no seu famoso trabalho “O mal-estar na civilização,” denunciava a difícil relação do homem consigo mesmo e com o seu semelhante, evocando aí, o que em 1960, Jacques Lacan, psicanalista francês, chamou “os impasses do sujeito com o real”.
O real é o que põe questões para todo sujeito, é aquilo com o qual o sujeito não consegue harmonizar-se. O real tem como representantes máximos na cultura, o sexo e a morte. O real é um limite. Diante do real, há sempre uma impossibilidade a ultrapassar.
No Mal-estar na civilização, Freud convoca os psicanalistas a se ocuparem do mal-estar do homem no mundo civilizado e a se interessarem pela subjetividade contemporânea. E, em 1953, Lacan, fiel seguidor de Freud, vai nos dizer que a psicanálise tem um papel a desempenhar na direção da subjetividade moderna, papel esse que somente poderá ser garantido, ajustando a psicanálise às novas invenções da ciência.
Sabemos da grande atração que o “novo”, a novidade exerce sobre o homem. É grande o interesse do homem pelos novos objetos da ciência, pelas rápidas, interessantes e atraentes invenções da ciência, pelos objetos modernos que o discurso capitalista não pára de inventar. Na série dos novos objetos da ciência, vamos refletir sobre o uso do computador, refletir sobre a relação do sujeito com esse objeto “top de linha” que proporcionou ao homem comunicar-se separado do vivo da palavra e nos permitiu acesso a um mundo virtual via Internet. A Internet é útil, engenhosa e eficaz para o sujeito engajado na modernidade, para todo sujeito identificado com o mundo contemporâneo, contudo, essa eficácia depende do modo e da finalidade como cada um dela faz uso.
A questão do sujeito com a Internet, que interessa aos psicanalistas, refere-se ao “valor” que cada um retira do “uso” que faz da máquina. Que valor tem para o sujeito essa máquina moderna que chamamos computador? Bem, a psicanálise é uma “práxis” interessada no mal-estar do sujeito no mundo, já dissemos. Dizendo de outra maneira: a psicanálise está interessada na “causa” da insatisfação e da angústia do sujeito com o mundo dos objetos. O interesse da psicanálise é orientar o sujeito, pela via do saber inconsciente, até os impasses com o real, conduzir o sujeito a construir uma relação menos discordante com os objetos que lhe trazem satisfação. A psicanálise de hoje tem a pretensão de fazer o sujeito trabalhar os seus conflitos para que possa funcionar melhor diante dos impasses que a vida cotidiana não pára de nos colocar. Nesse sentido, privilegia a palavra, a expressão viva do sujeito como meio para libertar-se da dor de existir e da angústia. A psicanálise deve ajudar o sujeito a sair da posição de ignorância com tudo aquilo que está lhe causando infelicidade ou desprazer. A psicanálise pretende despertar o sujeito que acorda para continuar dormindo, despertá-lo para celebrar a vida.
Uma psicanálise é um despertar para o vivo da existência humana. O “prejuízo” que traz o uso do computador, se pudermos falar assim, reside, justamente, na finalidade do seu uso. Essa novidade, esse mundo moderno que é a Internet, onde as imagens se pluralizam com rapidez e facilidade como verdades do sujeito para tentar enganar o real, faz a palavra serva da imagem. Porém, ao sacrificar as palavras às expensas da imagem, o sujeito torna-se, muitas vezes, um devoto da imagem, dos jogos, da distração, das soluções prontas, das cópias, em detrimento do vivo da expressão falada e escrita, da leitura, do teatro, do cinema, da interlocução com o semelhante e de tudo aquilo que exige esforço para poder apreender e se sentir realizado.
Numa palavra - o prejuízo é quando o sujeito se isola, confina-se e emudece, dedicando grande parte do seu tempo à Internet, quando “personaliza” o computador, faz do computador o seu melhor amigo, a sua melhor companhia. Assistimos, nesse século, a uma mudança de valor do homem, uma troca de companhia: do amigo cão para o amigo-computador.
Assim procedendo, o sujeito equivoca-se, porque confunde o “valor de uso” com o “valor de gozo”. Fazendo da Internet seu “partenaire”, fazendo dela a sua melhor parceira, retira satisfação da máquina em detrimento da satisfação com a mulher, os filhos e os amigos. E, acaba, inexoravelmente, sentindo-se cada vez mais solitário e isolado daquilo que é verdadeiramente humano. Assim, tentando recobrir o real com a tela das imagens, surge para o sujeito esse sintoma da modernidade que conhecemos com o nome de “Depressão”. Procedendo dessa maneira, privilegiando o objetivo, no lugar do subjetivo, submetendo-se ao “time is money”, tentando defender-se das emoções e da responsabilidade do universo das palavras, o sujeito acaba fazendo da Internet o seu Sintoma - um Sintoma Contemporâneo, que Freud não conheceu, deixando-nos, contudo, como legado, a direção da sua cura.
Por REINALDO PAMPONET
 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Meu trabalho da faculdade 1º semestre ( CONTEXTO EDUCACIONAL DA CRIANÇA )


A criança no séc. XX é o centro da atenção no ambiente doméstico. Esta receberá um educação de princípios morais transmitida pelos pais, e quando atingirem a idade mínima passará a frequentar um escola, onde aprenderá inumeras formas de conhecimento, desenvolvendo qualidades ou habilidades para serem produtivas e capazes de transformar seu espaço social. Más será que sempre foi assim ?

As crianças são elementos de fundamental importância dentro de uma sociedade, pois constituem o futuro em potencial de uma nação. Assim, é de grande relevância que estas tenham uma educação adequada,atenda aos interesses em comum, possibilite o crescimento e o desenvolvimento cultural político- social, econômico, e tecnológico. Esses dois processos ocorreram de forma gradual e teve início no mundo primitivo. Onde os chefes de família e os sacerdotes eram os primeiros professores da criança. Nessa época não havia educação no modelo de escolas. No entanto, tinha-se o objetivo de modelar a criança para ocupar seu espaço ambiental – seu convívio em casa – e prepará-la para ser inserida na sociedade. Essa prática ocorria através das experiências adquiridas de seus professores, utilizando-se da imitação (CAMBI 1999), onde o indivíduo aprendia a usar armas e ferramentas, nas mais variáveis formas de finalidade – defender-se, caçar, colheita – a educação era ministrada de forma a potencializar a sobrevivência do indivíduo e perpetuar seus costumes. Também se aprendia a realizar rituais como culto aos mortos, assim como era realizado pelos seus antepassados. E com a descoberta da escrita, no oriente, China. Reformulou-se a idéia de organização social. Valorizando o domínio da linguagem e da literatura. No entanto, a sistematização do estudo ocorreu no período da educação greco-romana. O jovem entrava na escola elementar aos sete anos de idade, onde ele aprendia a ler, escrever, as regras gramaticais, tinha aula de musica e desenho. Já na escola secundária, o acesso era destinado às crianças de doze anos de idade, onde elas também aprendiam gramática, princípios de retórica e da lógica, que serviam de base para os estudos de literatura.  E por fim, a escola de nível superior, que constituíam as escolas filosóficas. Contudo, a queda do império romano, oriunda das constantes guerras contra os bárbaros, deu início a um novo período da história da educação, a Idade Média. Onde, o indivíduo estudava gramática latina, dialética e retórica. Uma divisão de estudo denominada trivium. Numa outra divisão de estudo, quadrivium, estudava-se geometria, aritmética, astronomia e música. A criança crescia numa condição de ensino limitada em que atendia aos interesses da Igreja, pois esta monopolizava o ensino e detinha o poder político. (Veiga, 2007) A Idade Média é marcada por inúmeros acontecimentos que interferiram na educação, e a criança, nesse contexto, é preparada para ser inserida na sociedade, com novos padrões de cultura e comportamento aceitável a época. Por um longo período a Igreja permaneceu com a hegemonia da educação. Dela partiam os modelos educativos e as práticas de formação, havia uma separação ou distinção quanto às classes sociais. Surgem duas importantes criações que foram características desse período: a criação das universidades, que nessa época se configurava como uma corporação de mestres e alunos e a organização e proliferação dos colégios como lugar de formação de letrados. No entanto, as constantes crises desestruturam a sociedade européia atingindo a educação. A peste negra, o desequilíbrio nas instituições eclesiásticas, que levou à queda de Roma, são alguns dos eventos ocorridos na idade Média que possibilitaram a transição para um novo período, a Idade Moderna. Especialmente a derrocada do império romano trouxe profundas transformações sociocultural, político-religiosa, no entendimento do indivíduo quanto à finalidade do aprendizado e uma alteração na proposta da escola quanto ao desenvolvimento educacional infantil e a inserção do indivíduo na sociedade. Uma das características desse tempo é a pratica da compra e venda de mercadorias que deu origem ao capitalismo e uma nova classe surgiu gradativamente ganhando grande força, a burguesia. Esses eventos interferiram e nortearam um novo modelo educacional, houve necessidade de reformular os fins da educação. Que passou a ter como objetivo preparar o indivíduo para ser ativo e produtivo na sociedade. E a escola passou a ter um destaque nessa missão, ocupando uma posição central para potencializar o desenvolvimento da sociedade moderna. A criança passou a ser mais valorizada recebendo investimento da família. A família e a escola desempenhavam um papel importante no processo de educação da criança. Uma crise interna na igreja católica levou ao movimento que ficou conhecido como Reforma e Contra Reforma, que também interferiram no espaço pedagógico. No meio de todo esse processo a criança passou a conviver com uma ideia internalizada de necessidade de apresentar comportamentos característicos da época, riqueza, poder político, prestígio social e conhecimento. Para Immanuel Kant a criança desenvolve-se como um produto das interações de todos os fenômenos que acontecem ao redor do seu ambiente e sua natureza. As crianças mais pobres tinham poucos privilégios e quase não tinha acesso à educação, foi somente no século XIX que a escolaridade se estendeu ao todo social na Europa. No Brasil, esse processo ocorreu mais lentamente. Somente um século depois, XX. Onde os colégios jesuítas deram uma importante contribuição no processo educacional, no entanto, foram fechados em meados do século XVIII pela imposição monárquica que disputava o monopólio da educação. Os representantes eclesiásticos da companhia de Jesus foram expulsos do Brasil pelo Marques de Pombal em 1759, e com forte influência do movimento intelectual iluminista implantou-se um modelo educacional laico, não religioso, e a educação passou a ser considerada a base para o desenvolvimento e formação da nova civilização.
Atualmente é possível perceber na sociedade uma grande diferença social entre crianças, e também, entre adultos. Más, sabendo que toda essa diferença começa na infância, quando são interrompidos os estágios da vida da criança comprometendo assim sua vida na sociedade, pois desenvolvem nas mesmas, carências as quais foram despertadas ao interromper os estágios. Pois segundo Erik Erikson “somos constituídos de forma que fomos educados”.
O que um educador deve fazer está diretamente relacionado com a meta que ele busca alcançar, os princípios que segue, devem ser orientados por aqueles valores que ele visa promover. Por isso devemos perguntar: que valores nós queremos promover? O interesse amplamente difundido pela verdade pode ser evidenciado pela prática de questionar. Afinal o objetivo padrão ao fazermos uma pergunta é o de receber do nosso interlocutor uma resposta verdadeira. Então, na escola a criança tem que ser tratada com igualdade, independente de religião ou grupo étnico, preparando o pequeno indivíduo para a vida na sociedade preconceituosa que há lá fora, pois disse Aristóteles “somos como folhas em branco que serão escritas...” Então se essa criança vive só com diferença, o que ela vai carregar na mente é que não importa o que ela faça ela vai ser sempre o menosprezado pela sociedade, um excluído pelos seus colegas que levam uma vida financeira melhor , ou seja escrevemos nessa folha em branco um cidadão capaz de alcançar seus objetivos, com ética, honra e caráter. Podendo assim lutar pela indiferença a qual atinge esse país dos tempos desde a idade média. A prática educativa deve buscar situações de aprendizagem que reproduzam contextos cotidianos.
“As crenças que formamos sobre o mundo constituem a base que utilizamos para tomar as nossas decisões e orientar as nossas ações.”
Felipe de Matos Müller